Thursday, June 4, 2009

Segunda fase da acção beneficente para crianças

No dia 30 de Maio do presente ano, procedemos à recolha de fundos para o projecto de ajuda as crianças de um orfanato. No sábado, dia 6 de Junho, estaremos novamente na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) para recolher as contribuições das pessoas que não puderam fazê-lo aquando da primeira recolha.

Para os que conseguiram fazer chegar a contribuição no dia 30 de Maio, vão os nossos calorosos agradecimentos porque estarão a ajudar-nos a levar um bocado de alegria a essas crianças inocentes e maltratadas pela vida! Para os que ainda não puderam fazê-lo eis a oportunidade.

A Yndongah e eu estaremos na AEMO entre as 15 e 17 horas a fim de receber as vossas contribuições.

Por uma blogosfera mais interventiva e socialmente responsável!

Obrigada,

Nyikiwa.

Sunday, April 26, 2009

Oralidade e escrita, Saberes discordantes?

O presente artigo surge como continuidade do post anterior sobre Educação versus escolarização, mas desta feita pretendo levantar a questão de um outro jeito. Geralmente as pessoas quando são introduzidas ao contexto escolar levam consigo alguns saberes apreendidos mediante a sua socialização. Porém, quando chegam a escola são como que desarreigados dos seus conhecimentos e submetidos a uma nova ordem da qual o professor é o agente, uma vez que tudo por ele dito está correcto.

Algumas crianças aprendem a contar e a explicar coisas na sua língua materna, que pode não ser necessariamente a língua Portuguesa, mas chegadas a escola são terminantemente proibidas de expressar-se nas suas línguas maternas.

O ponto que pretendo levantar tem a ver com o facto de enaltecer-se os saberes da escrita em detrimento dos saberes orais. Sabe-se que África é um continente em que há grande predomínio da tradição oral, que tem estado a ser relegada para último plano. Como conferir muita primazia a escrita num País em que o grosso da população é não escolarizada? Não tenho algo contra a escolarização, porque até tive a oportunidade de passar por esse processo, mas acho que deve-se atribuir importância a uma grande fonte de saber, que é a oralidade. Concordo que por causa da globalização, que para mim é mais “englobalização” que tenhamos que abrir a porta para alguns processos, mas julgo que acima de tudo temos que saber fazer um casamento entre esses novos processos e os processos mais antigos.

Na minha opinião a oralidade e a escrita não devem ser dissociadas, mas vistas como duas faces do processo educativo.

Sunday, April 5, 2009

Educação versus Escolarização

O presente artigo surge após eu ter lido um artigo do PC Mapengo publicado no blogue do Júlio Mutisse intitulado: “um golo para fintar o destino”. O artigo em causa chamou-me atenção para o facto de muitas vezes confundir-se escolarização e educação.

A escolarização como o próprio nome já indica remete necessariamente para a escola e todos métodos lá utilizados, ao passo que a educação não remete única e necessariamente para a escola como o lugar de excelência, onde são inculcados os cânones sem os quais eles não são reconhecidos como membros de um certo grupo social.

Educar é muito mais que escolarizar, porque segundo o dicionário de língua portuguesa, educação signifca instrução e cortesia e não necessariamente escolarizar como se tem pensado, daí que no quotidiano é frequente ouvir a seguinte frase: “xiii…, fulano nem parece que estudou porque tem atitudes de uma pessoa grunha, guindza e baixa (inculta) ”. O que acontece é que a instrução e a cortesia no meu entender são apriores a escolarização, e como tal elas é que preparam as pessoas para o porvir.
A educação ocorre nas mais diversas instituições porque a escola não é o lugar soberano onde ensina-se ao homem a viver em sociedade, uma vez que a educação em termos gerais visa inserir o homem em sociedade, fazê-lo útil e reconhecido por ela. Os ritos de iniciação, as escolas de futebol, os clubes desportivos e outras instituições de socialização têm a tarefa de educar.

Mercê desse pensamento amplamente divulgado de que a escola é o garante da inserção do indivíduo na sociedade, assistimos à uma crescente azáfama de pessoas que lutam para ingressar no ensino superior no nosso País, porque julgam que somente escolarizadas é que podem ascender socialmente e alcançar reconhecimento por parte dos demais.

Friday, March 20, 2009

Proposta de encontro de bloguistas

Caros colegas da Blogosfera,

Gostaria de convidá-los a mais um encontro no dia 25 de Abril do corrente ano. Não somente estão convidadas as pessoas que já tem blogues, mas também aquelas que têm a criação de um blogue no prelo.

Estou a lançar o convite com um mês de antecedência para que nos possamos organizar. Desde já aguardo sugestões sobre local, hora e temas por discutir. Para os que estiveram presentes no nosso primeiro encontro, pensemos em formas de dinamizar os projectos de que falamos. Para os ausentes penso que podemos recapitular alguns temas abordados aquando do memorável 28 de Fevereiro.

Obrigada,
Nyikiwa.

Sunday, March 8, 2009

As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação e os Relacionamentos Afectivos

A moda dos SMS’s pegou em Moçambique. Envia-se os SMS’s sobre os mais diversos assuntos, até a procura de parceiros para os mais diversos fins: desde casar, fazer sexo e amizade.

O que me chamou atenção foi o facto de pessoas “comprometidas” enviarem mensagens para os programas interactivos de bate-papo, à procura de pessoas para afogar as suas mágoas ou para satisfazer as suas fantasias mais profundas, passo a citar algumas mensagens que tive oortunidade de ler: “sou casada, mas infeliz, carente e preciso de um homem sério para amizade séria”. Outra mensagem que vi dizia o seguinte: “sou casado, preciso de mulheres entre os 30-38 anos para momentos de prazer”.

Não cabe a mim ajuizar a conduta dessas pessoas porque cada ser humano tem livre arbitrío e as motivações para os factos descritos acima só podem ser encontradas conversando com os sujeitos do acontecimento. Porém, não deixa de me inquietar o facto de cada vez mais pessoas que vivem em união de facto ou casadas oficialmente exporem-se e até deixarem seu contacto (embora muitas das vezes não utilizem os seus contactos oficiais) à procura de pessoas para afogarem as suas mágoas, ou para satisfazer as suas fantasias. Uma pergunta me surge: será que alguma vez conversaram com seus parceiros sobre o estágio da sua relação? Porque recuso-me a acreditar que alguém busca outra pessoa seja para o que for, sobretudo em público sem ter motivos para tal.
Já ouvi dizer que o homem não trai a sua esposa ou namorada “à toa” (e vice-versa), logo traem por algum motivo, mas até ao ponto de “aparecerem” em público acho que é “dose”! Embora possam utilizar números de telemóveis não oficiais, as vezes acho que se ignora a hipótese de os seus parceiros ou outras pessoas próximas destes conhecerem ou terem acesso ao número de telemóvel supostamente privado?

O que dizer destes casos?

Nyikiwa.

Sunday, March 1, 2009

Bloguistas: do virtual ao real!

O encontro dos “bloguistas Moçambicanos” realizado no último Sábado na Cidade de Maputo, foi o primeiro de muitos encontros ainda por vir. O objectivo do encontro era o encontro real dos “bloguistas” que somente conheciam-se virtualmente até então.

Visto a maioria de nós desconhecer-se até ao dia do encontro, os que já tinham chegado (eu e a minha irmã Ximbitane) íamos tentando adivinhar a identidade de cada pessoa que chegava ao local de encontro.
Quando o Shirangano entrou, a Ximbi disse para mim:”este tem cara de ser Shirangano” e eu acenei afirmativamente com a cabeça. E não é que era ele? Entre telefonemas e mensagens, visto muitos bloguistas estarem atrasados, eis que surge mais alguém: Amosse Macamo, ou simplesmente “Modaskavalu”. Quando o Amosse chegou continuamos com as apresentações. A seguir chegou Chacate Joaquim e iniciamos uma brincadeira, a da adivinhação: “guess who am I”!
À medida que os demais bloguistas chegavam, a brincadeira repetia-se. Oh, Mutisse, acreditaste feito um patinho que eu era a Avid, kakakakaka...
Bom, sucedeu muita coisa no nosso encontro, mas não detalharei porque por um lado se eu contasse tudo não haveria espaço para descrever, mas por outro lado há pessoas indicadas para escreverem a crónica do encontro, e o que pretendo com este “post” é mostrar que o mundo virtual é mágico, mas o real é ainda mais fascinante.
No mundo virtual manda a imaginação, mas no mundo real notamos que as pessoas com quem convivemos virtualmente são de carne e osso e são tão pessoas quanto nós.
O mundo virtual tem o condão de nos fazer viajar e dar asas à imaginação. Representamos, idealizamos, pintamos e mascaramos pessoas e suas identidades, e quando elas estão próximas de nós não parecem as mesmas, porque as percepcionamos de modo diferente.
Apesar de termos sido submetidos à diversos processos de socialização, no final de contas temos todos uma coisa em comum: o compromisso com a verdade e a honestidade intelectual, por isso caros bloguistas, coloquemos todos os planos traçados em prática e continuemos a primar por uma postura imparcial. Parafraseando Obama: “YES, WE CAN”!

Sunday, February 15, 2009

14 de Fevereiro, dia dos namorados ou dia das modas?

Nas vésperas de 14 de Fevereiro de cada ano e na própria data, tem se assistido à uma decoração vermelha e branca das montras das lojas e é notória a afluência maciça de pessoas às lojas em busca de presentes para os seus (as) parceiros (as). Nada contra! Mas o que sempre me pergunto nessa ocasião é se as pessoas sabem qual é o motivo de Celebração de tal data e se “beberam do espírito da coisa” (como diriam os Brazucas) e inculcaram a mensagem que a data ou efeméride traduz?

Os comerciantes, alguns deles até podem conhecer o significado da data, mas a questão é obter lucros com a ocasião, nada contra também! Não sei quando é que em Moçambique se começou a celebrar a data, mas verdade seja dita se formos inquirir às certas pessoas porque é que 14 de Fevereiro é dia de São Valentim e por inerência dia dos namorados, podemos notar que algumas delas somente celebram a data porque os mídia falam dela, porque ouvem falar com outras pessoas, e porque é montado um aparato publicitário em torno da data. Essa questão remete-me para as modas. Já dizia Barthes (1967) citado pelo saudoso professor José Negrão no seu artigo” Repensando as Modas de Desenvolvimento Rural” datado de 1997 que a moda não tem lógica, tem poética e por isso apaixona, e é transportada aos mais recônditos lugares do mundo. Apesar de o Professor Negrão ter escrito sobre a questão de se repensar os modelos de desenvolvimento rural, creio que o problema que ele levanta em torno das modas pode servir para olhar para a azáfama que verifica-se a cada 14 de Fevereiro, porque quem não celebra o dia 14 de Fevereiro, não comprou presente para o seu parceiro (a), ou acha que é um dia como qualquer outro é visto como tendo ficado no lado frio da história.