Thursday, July 9, 2009

Prémio Lemniscata




Antes de mais gostaria e agradecer o prémio que me foi concedido pelas minhas irmãs Vasikates. Na senda deste prémio, gostaria de presentear alguns blogs, nomeadamente:

• Ideias Subversivas de Júlio Mutisse, pelos temas ricos e profundos que aborda;
• Nero Kalashnikov de Alberto Nkutumula, pela viragem de temas abordados, tendo aberto caminho para que mais pessoas contribuíssem no seu blog, por mais que não sejam juristas;
Cartas a Moda Antiga de PC Mapengo, por nos fazer recuar ao tempo em que escrevíamos cartas, mas sobretudo por serem cartas que fazem-nos reflectir bastante;
Modaskavalu de Amosse Macamo, por ser o portal que analisa a música Moçambicana, não somente em termos de ritmo, mas também em termos de valor dos artistas;
• Vasikates de Moçambique de Ximbitane, Yndongah e Avid por incessantemente procurarem mostrar as virtudes e vicissitudes das mulheres, bem como por de alguma forma estarem a contribuir para desmistificar alguns estereótipos que ainda existem em torno das Vasikates;
Contrapeso 3.0 de Egídio Vaz, pela frontalidade, imparcialidade e coragem de penetrar nos mais densos meandros da Política, a que muitas pessoas se têm furtado;
Solta-te de Shirangano, pela coragem, frontalidade, clareza e profundidade que demonstra na abordagem dos temas.

Tuesday, June 30, 2009

A importância da Orientação no Futuro dos Indivíduos

Ainda na senda da problemática da educação, em conversa com alguém, acabei reflectindo sobre uma questão: por muito tempo pensei que a geração dos meus pais e dos meus avôs não escolarizou-se muito mais do que simplesmente aprender a ler e a escrever, porque não teve oportunidade.

Na verdade, as oportunidades são criadas em função das perspectivas de vida, ambições e horizontes. Já me explico. O facto é que “no tempo dos meus pais e avôs”, eles na maioria das vezes não tinham um guia ou uma orientação que os mostrasse a importância de prosseguirem com os seus estudos.
A escolarização que eles recebiam era orientada para fins específicos, tais como aprender a ler e escrever. Isto me faz lembrar um dos objectivos do Estado Novo de Salazar, segundo o qual, a educação visava ensinar ao indígena a ler, escrever e a ter noções elementares de aritmética, por forma a melhor servir ao colonialismo.
A questão de estudar mais ou menos tem muito a ver com as expectativas que cada indivíduo tem da sua vida, e as vezes até com as que a sociedade tem dos indivíduos enquanto homens ou mulheres. Por exemplo, no Sul de Moçambique, durante muito tempo, até mesmo actualmente, é possível identificar regiões em que homem é aquele que vai as minas, por isso não tem necessidade de estudar mais. As mulheres durante muito tempo, e até ao presente momento em algumas zonas do nosso País, têm sido preteridas no que concerne à escolarização, porque se acredita que elas apenas sirvam para cuidar das lides domésticas.

Na minha opinião, a conjuntura sócio-política e económica influencia nas condições de acesso à escola, à liberdade de expressão e associação, porém, o principal factor prende-se com a orientação que é dada aos indivíduos. Que ferramentas a família, a escola e as outras Instituições de Socialização concedem ao indivíduo para que ele enfrente a vida e o futuro?

Sunday, June 21, 2009

20 de Junho de 2009, na Pediatria do Hospital Geral da Machava





Caros,

É com enorme satisfação que escrevo este post. Gostaria de agradecer a todos que directa ou indirectamente contribuíram para a materialização do projecto de promover um lanche e oferecer brinquedos as crianças internadas na pediatria do Hospital Geral da Machava.

Foi notória a alegria no rosto dos profissionais de saúde afectos à aquela instituição hospitalar, no rosto das crianças e de suas mães. Foi um momento ímpar e como tal indescritível. Há que realçar a presença e apoio do cantor Ta-Basily que mesmo incomodado e sem cobrar nenhum valor, emprestou a sua imagem, voz e carinho aos presentes.

Foi uma manhã maravilhosa!!!


Bem haja a todos!

Obrigada,

Nyikiwa, Yndongah e Ximbitane.

Wednesday, June 10, 2009

Meu Segundo Blog

Caros amigos, companheiros da blogosfera e simpatizantes do blog da Nyikiwa,

Tenho o prazer de convidar-vos a visitar o meu segundo blog, intitulado: "Usos e Costumes", no seguinte url: www. sabereslocais.blogspot.com

Cumprimentos,

Nyikiwa.

Thursday, June 4, 2009

Segunda fase da acção beneficente para crianças

No dia 30 de Maio do presente ano, procedemos à recolha de fundos para o projecto de ajuda as crianças de um orfanato. No sábado, dia 6 de Junho, estaremos novamente na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) para recolher as contribuições das pessoas que não puderam fazê-lo aquando da primeira recolha.

Para os que conseguiram fazer chegar a contribuição no dia 30 de Maio, vão os nossos calorosos agradecimentos porque estarão a ajudar-nos a levar um bocado de alegria a essas crianças inocentes e maltratadas pela vida! Para os que ainda não puderam fazê-lo eis a oportunidade.

A Yndongah e eu estaremos na AEMO entre as 15 e 17 horas a fim de receber as vossas contribuições.

Por uma blogosfera mais interventiva e socialmente responsável!

Obrigada,

Nyikiwa.

Sunday, April 26, 2009

Oralidade e escrita, Saberes discordantes?

O presente artigo surge como continuidade do post anterior sobre Educação versus escolarização, mas desta feita pretendo levantar a questão de um outro jeito. Geralmente as pessoas quando são introduzidas ao contexto escolar levam consigo alguns saberes apreendidos mediante a sua socialização. Porém, quando chegam a escola são como que desarreigados dos seus conhecimentos e submetidos a uma nova ordem da qual o professor é o agente, uma vez que tudo por ele dito está correcto.

Algumas crianças aprendem a contar e a explicar coisas na sua língua materna, que pode não ser necessariamente a língua Portuguesa, mas chegadas a escola são terminantemente proibidas de expressar-se nas suas línguas maternas.

O ponto que pretendo levantar tem a ver com o facto de enaltecer-se os saberes da escrita em detrimento dos saberes orais. Sabe-se que África é um continente em que há grande predomínio da tradição oral, que tem estado a ser relegada para último plano. Como conferir muita primazia a escrita num País em que o grosso da população é não escolarizada? Não tenho algo contra a escolarização, porque até tive a oportunidade de passar por esse processo, mas acho que deve-se atribuir importância a uma grande fonte de saber, que é a oralidade. Concordo que por causa da globalização, que para mim é mais “englobalização” que tenhamos que abrir a porta para alguns processos, mas julgo que acima de tudo temos que saber fazer um casamento entre esses novos processos e os processos mais antigos.

Na minha opinião a oralidade e a escrita não devem ser dissociadas, mas vistas como duas faces do processo educativo.

Sunday, April 5, 2009

Educação versus Escolarização

O presente artigo surge após eu ter lido um artigo do PC Mapengo publicado no blogue do Júlio Mutisse intitulado: “um golo para fintar o destino”. O artigo em causa chamou-me atenção para o facto de muitas vezes confundir-se escolarização e educação.

A escolarização como o próprio nome já indica remete necessariamente para a escola e todos métodos lá utilizados, ao passo que a educação não remete única e necessariamente para a escola como o lugar de excelência, onde são inculcados os cânones sem os quais eles não são reconhecidos como membros de um certo grupo social.

Educar é muito mais que escolarizar, porque segundo o dicionário de língua portuguesa, educação signifca instrução e cortesia e não necessariamente escolarizar como se tem pensado, daí que no quotidiano é frequente ouvir a seguinte frase: “xiii…, fulano nem parece que estudou porque tem atitudes de uma pessoa grunha, guindza e baixa (inculta) ”. O que acontece é que a instrução e a cortesia no meu entender são apriores a escolarização, e como tal elas é que preparam as pessoas para o porvir.
A educação ocorre nas mais diversas instituições porque a escola não é o lugar soberano onde ensina-se ao homem a viver em sociedade, uma vez que a educação em termos gerais visa inserir o homem em sociedade, fazê-lo útil e reconhecido por ela. Os ritos de iniciação, as escolas de futebol, os clubes desportivos e outras instituições de socialização têm a tarefa de educar.

Mercê desse pensamento amplamente divulgado de que a escola é o garante da inserção do indivíduo na sociedade, assistimos à uma crescente azáfama de pessoas que lutam para ingressar no ensino superior no nosso País, porque julgam que somente escolarizadas é que podem ascender socialmente e alcançar reconhecimento por parte dos demais.