Tuesday, June 30, 2009

A importância da Orientação no Futuro dos Indivíduos

Ainda na senda da problemática da educação, em conversa com alguém, acabei reflectindo sobre uma questão: por muito tempo pensei que a geração dos meus pais e dos meus avôs não escolarizou-se muito mais do que simplesmente aprender a ler e a escrever, porque não teve oportunidade.

Na verdade, as oportunidades são criadas em função das perspectivas de vida, ambições e horizontes. Já me explico. O facto é que “no tempo dos meus pais e avôs”, eles na maioria das vezes não tinham um guia ou uma orientação que os mostrasse a importância de prosseguirem com os seus estudos.
A escolarização que eles recebiam era orientada para fins específicos, tais como aprender a ler e escrever. Isto me faz lembrar um dos objectivos do Estado Novo de Salazar, segundo o qual, a educação visava ensinar ao indígena a ler, escrever e a ter noções elementares de aritmética, por forma a melhor servir ao colonialismo.
A questão de estudar mais ou menos tem muito a ver com as expectativas que cada indivíduo tem da sua vida, e as vezes até com as que a sociedade tem dos indivíduos enquanto homens ou mulheres. Por exemplo, no Sul de Moçambique, durante muito tempo, até mesmo actualmente, é possível identificar regiões em que homem é aquele que vai as minas, por isso não tem necessidade de estudar mais. As mulheres durante muito tempo, e até ao presente momento em algumas zonas do nosso País, têm sido preteridas no que concerne à escolarização, porque se acredita que elas apenas sirvam para cuidar das lides domésticas.

Na minha opinião, a conjuntura sócio-política e económica influencia nas condições de acesso à escola, à liberdade de expressão e associação, porém, o principal factor prende-se com a orientação que é dada aos indivíduos. Que ferramentas a família, a escola e as outras Instituições de Socialização concedem ao indivíduo para que ele enfrente a vida e o futuro?

Sunday, June 21, 2009

20 de Junho de 2009, na Pediatria do Hospital Geral da Machava





Caros,

É com enorme satisfação que escrevo este post. Gostaria de agradecer a todos que directa ou indirectamente contribuíram para a materialização do projecto de promover um lanche e oferecer brinquedos as crianças internadas na pediatria do Hospital Geral da Machava.

Foi notória a alegria no rosto dos profissionais de saúde afectos à aquela instituição hospitalar, no rosto das crianças e de suas mães. Foi um momento ímpar e como tal indescritível. Há que realçar a presença e apoio do cantor Ta-Basily que mesmo incomodado e sem cobrar nenhum valor, emprestou a sua imagem, voz e carinho aos presentes.

Foi uma manhã maravilhosa!!!


Bem haja a todos!

Obrigada,

Nyikiwa, Yndongah e Ximbitane.

Wednesday, June 10, 2009

Meu Segundo Blog

Caros amigos, companheiros da blogosfera e simpatizantes do blog da Nyikiwa,

Tenho o prazer de convidar-vos a visitar o meu segundo blog, intitulado: "Usos e Costumes", no seguinte url: www. sabereslocais.blogspot.com

Cumprimentos,

Nyikiwa.

Thursday, June 4, 2009

Segunda fase da acção beneficente para crianças

No dia 30 de Maio do presente ano, procedemos à recolha de fundos para o projecto de ajuda as crianças de um orfanato. No sábado, dia 6 de Junho, estaremos novamente na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) para recolher as contribuições das pessoas que não puderam fazê-lo aquando da primeira recolha.

Para os que conseguiram fazer chegar a contribuição no dia 30 de Maio, vão os nossos calorosos agradecimentos porque estarão a ajudar-nos a levar um bocado de alegria a essas crianças inocentes e maltratadas pela vida! Para os que ainda não puderam fazê-lo eis a oportunidade.

A Yndongah e eu estaremos na AEMO entre as 15 e 17 horas a fim de receber as vossas contribuições.

Por uma blogosfera mais interventiva e socialmente responsável!

Obrigada,

Nyikiwa.

Sunday, April 26, 2009

Oralidade e escrita, Saberes discordantes?

O presente artigo surge como continuidade do post anterior sobre Educação versus escolarização, mas desta feita pretendo levantar a questão de um outro jeito. Geralmente as pessoas quando são introduzidas ao contexto escolar levam consigo alguns saberes apreendidos mediante a sua socialização. Porém, quando chegam a escola são como que desarreigados dos seus conhecimentos e submetidos a uma nova ordem da qual o professor é o agente, uma vez que tudo por ele dito está correcto.

Algumas crianças aprendem a contar e a explicar coisas na sua língua materna, que pode não ser necessariamente a língua Portuguesa, mas chegadas a escola são terminantemente proibidas de expressar-se nas suas línguas maternas.

O ponto que pretendo levantar tem a ver com o facto de enaltecer-se os saberes da escrita em detrimento dos saberes orais. Sabe-se que África é um continente em que há grande predomínio da tradição oral, que tem estado a ser relegada para último plano. Como conferir muita primazia a escrita num País em que o grosso da população é não escolarizada? Não tenho algo contra a escolarização, porque até tive a oportunidade de passar por esse processo, mas acho que deve-se atribuir importância a uma grande fonte de saber, que é a oralidade. Concordo que por causa da globalização, que para mim é mais “englobalização” que tenhamos que abrir a porta para alguns processos, mas julgo que acima de tudo temos que saber fazer um casamento entre esses novos processos e os processos mais antigos.

Na minha opinião a oralidade e a escrita não devem ser dissociadas, mas vistas como duas faces do processo educativo.

Sunday, April 5, 2009

Educação versus Escolarização

O presente artigo surge após eu ter lido um artigo do PC Mapengo publicado no blogue do Júlio Mutisse intitulado: “um golo para fintar o destino”. O artigo em causa chamou-me atenção para o facto de muitas vezes confundir-se escolarização e educação.

A escolarização como o próprio nome já indica remete necessariamente para a escola e todos métodos lá utilizados, ao passo que a educação não remete única e necessariamente para a escola como o lugar de excelência, onde são inculcados os cânones sem os quais eles não são reconhecidos como membros de um certo grupo social.

Educar é muito mais que escolarizar, porque segundo o dicionário de língua portuguesa, educação signifca instrução e cortesia e não necessariamente escolarizar como se tem pensado, daí que no quotidiano é frequente ouvir a seguinte frase: “xiii…, fulano nem parece que estudou porque tem atitudes de uma pessoa grunha, guindza e baixa (inculta) ”. O que acontece é que a instrução e a cortesia no meu entender são apriores a escolarização, e como tal elas é que preparam as pessoas para o porvir.
A educação ocorre nas mais diversas instituições porque a escola não é o lugar soberano onde ensina-se ao homem a viver em sociedade, uma vez que a educação em termos gerais visa inserir o homem em sociedade, fazê-lo útil e reconhecido por ela. Os ritos de iniciação, as escolas de futebol, os clubes desportivos e outras instituições de socialização têm a tarefa de educar.

Mercê desse pensamento amplamente divulgado de que a escola é o garante da inserção do indivíduo na sociedade, assistimos à uma crescente azáfama de pessoas que lutam para ingressar no ensino superior no nosso País, porque julgam que somente escolarizadas é que podem ascender socialmente e alcançar reconhecimento por parte dos demais.

Friday, March 20, 2009

Proposta de encontro de bloguistas

Caros colegas da Blogosfera,

Gostaria de convidá-los a mais um encontro no dia 25 de Abril do corrente ano. Não somente estão convidadas as pessoas que já tem blogues, mas também aquelas que têm a criação de um blogue no prelo.

Estou a lançar o convite com um mês de antecedência para que nos possamos organizar. Desde já aguardo sugestões sobre local, hora e temas por discutir. Para os que estiveram presentes no nosso primeiro encontro, pensemos em formas de dinamizar os projectos de que falamos. Para os ausentes penso que podemos recapitular alguns temas abordados aquando do memorável 28 de Fevereiro.

Obrigada,
Nyikiwa.