Saturday, July 11, 2009

A Importância da Orientação no Futuro dos Indivíduos (2)

Nutro um grande interesse pelos temas ligados à educação. Entenda-se educação, neste sentido, como o processo através do qual o indivíduo é inserido na Sociedade nas suas mais variadas formas e pelas diversas Instituições de Socialização. Por isso que neste artigo continuarei a debruçar-me sobre o assunto, mas de outra forma. Recorrerei a um fenómeno que tenho vindo a observar para abordar a necessidade de haver parceria entre a Escola e a Família na orientação do Indivíduo.

O que me motiva a escrever este artigo é o facto de vir observando um fenómeno que me inquieta: o facto de não haver, até onde sei intercâmbio entre as escolas sediadas nas Cidades e as escolas sediadas no “campo”. Esta questão me inquieta porque tanto as crianças que estudam e vivem na cidade, assim como as que estudam e vivem no “campo”, têm algo para ensinar umas as outras.
Na minha opinião, de vez em quando seria bom que as crianças fossem ao “campo” conhecer o País real para não consumirem passivamente as informações que são veiculadas acerca do seu País pela internet e pelos media.

Cresci sempre a pensar que viver na cidade era o apogeu da felicidade e da realização porque não tive essa oportunidade de ir conviver com crianças do “campo”. Quando houvesse visitas na escola era para ir ao Jardim Zoológico, ao Museu da Revolução, ao Museu de História Natural, entre outros locais considerados históricos.

Não pretendo encontrar culpados para esta ausência de intercâmbio e confraternização, porque tenho para mim que as diversas Instituições de Socialização são parte do processo, pois não é só responsabilidade da escola promover esse tipo de actividade.

A verdade é que a escola e a família que são as Instituições Primárias de Socialização não têm comunicado. Nos últimos tempos as crianças têm sido filhas dos empregados domésticos, que na maioria das vezes pouco se importam com os ensinamentos que ministram as crianças, ou por causa da sua incapacidade mal os orientam. Também é bem verdade que “não há regras sem excepção”, porque há empregados domésticos que têm amor pelas crianças e que as orientam devidamente.

A correria do dia-a-dia tem feito com que escola e pais não estejam a desempenhar cabalmente a sua função. Como reactivar esta parceria que a cada dia se afigura actual e pertinente, se quisermos ter adultos saudáveis, responsáveis e comprometidos com um País melhor para todos?

8 comments:

Nero Kalashnikov said...

Análise interessante! Virei em breve dar o meu contributo.

Julio Mutisse said...

Quando um pai se surpreende com o desempenho escolar do seu filho é sinal de que há muita coisa que vai mal.

Quando o sector da escolarização no Estado não consegue explicar à sociedade o que são progressões automáticas e deixa dúvidas é sinal de que algo vai muito mal.

Quando a Igreja, a família e o Estado vão em sentidos opostos e não dialogam sobre como podem, cada um cumprindo com seu papel, formar o homem de amanhã, dá numa sociedade com valores desvirtuados.

Já não estamos na época das cavernas, os nossos filhos adquirem uma base de conhecimento/informação que nós só tivemos um pouquinho mais tarde. Eles se apercebem destas contradições e ficam desorientados. E temos a igreja a atirar culpas ao Estado e às famílias semi-desestruturadas, estas a atirarem culpas ao Estado pela fraca qualidade de ensino e o Estado aos pais que não acompanham os filhos. Onde vamos parar?

Um abraço

Chacate Joaquim said...

Olá Nyikiwa! andei um pouco fora da área mas estou de volta a aesfera pública, indo à sua interpretação, diz-se sistea nacionl de educação! hehehe... acho que já deve imaginar a minha pasmação, é que de sistema não tem nada!...

Orá, só um exemplo: já imaginou a dificuldade que um estudante de uma faculdade pública de educação encontra quando quer fazer um trabalho do campo junto de uma unidade educativa?! mesmo apresentando credênciais e outros documentos que dispensão qualquer vontade de divulgar o singilo dessa unidade! a única entidade que facilita é só e somente o Munistério (MEC) nos seus diversos níveis estruturais.

Agora, como é que vamos chamar isso de sistema? para mim há culpados sim... o primeiro é ao nível institucional que deve se disciplinar os agentes a respeitar a necessidade de interação sistémica. Veja que isso só é possível quando alguém do ministério vai a uma escola quando é de escola para escola nyeto! mesmo essa coisa de pais e encarregado de educação, se um destes se faz a escola do seu filho e recebe um tratamento desqualificado e isso associado ao nível social dessa mãe juro te que não volta mais. Há muito comentário que pode se fazer em volta do tema tão interessante quanto este, mas a conclusão é única e objectiva, o SNE está minada de intropia, temos que identificar os responsáveis pelo boicote do sistema não de uma foma moral então que se emende a lei. Bjs

MITO said...

NYIKIWA… Gostei do teu tema e até concordo plenamente que é necessário haver uma orientação para o futuro das pessoas… mas antes de me debruçar sobre o assunto, vou priimeiro colocar algumas questões que vao me ajudar a compreender a tua percepção e o contexto em que pretender abordar a questão

1. Quando falas em intercambio, tas a referir-te a oqué, por exemplo?
2. Quais são os factos que te levam a crer que não existe intercâmbio entre escolas da cidade e escolas do campo
3. quando falas de escolas do campo, queres te referir a qué concretamente?

Eis alguns factos:
1. Existem jogos escolares envolvendo escolas tanto das zonas urbanas como suburbanas
2. Muitos alunos que estudam nas zonas urbanas, vivem nas zonas suburbanas
3. Alguns alunos que vivem nas zonas urbanas, estudam em zonas suburbanas

No teu artigo, dizes que “de vez em quando seria bom que as crianças fossem ao “campo” conhecer o País real para não consumirem passivamente as informações que são veiculadas acerca do seu País pela internet e pelos media.”... O que te leva a crer que o país real ta no campo? Será que nas Cidades não existe o país real?

A minha experiência prática leva-me a concordar contigo quando dizes que “as crianças tem sido filhas de empregados domésticos”, principalmente nas zonas urbanas. Mas na minha perspectiva, é tudo um produto do desenvolvimento e evolução da sociedade. No “campo” se assim preferires, as pessoas desenvolvem actividades de subsitencias que geralmente ocorrem nos seus locais de residência, estando deste modo, quase em contacto permanente com as crianças que criam. Nas zonas urbanas, as actividades profissionais geralmente são desenvolvidas fora do local de habitação. Saímos de casa as 07h00 e ró regressamos as 18 horas cansado e prontos para banho, novela e sono. E pouco nos importa como foi o dia da criança, porque deixamos tudo preparado para ela: (o carro que lhe vai levar e deixar na escola, a refeição, a internet e a Tv)

Se calhar, uma alternativa para inverter essa situação seria mudança de atitude e passarmos a focalizar mais no desenvolvimento da pessoa humana, em vez das condições de vida.

Nelson said...

Já devo ter entrado alguma vez numa conversa com assunto semelhante. Vou partir da última parte do comentário do MITO, ” Se calhar, uma alternativa para inverter essa situação seria mudança de atitude e passarmos a focalizar mais no desenvolvimento da pessoa humana, em vez das condições de vida”. Se os pais não tem o tempo que gostariam de ter com os filho não penso que seja por ignorarem a importância disso no “desenvolvimento humano”, creio que estão sendo “vítimas” de todo um “sistema”. Eles “precisam” sim trabalhar, eles “precisam” sim dar-se no duro para pagar as contas

MITO said...

Caro NELSON….

Parece que estamo num DILEMA.

Por um lado, queremos que as nossas crianças sejam dotadas de bons princípios morais, que tenham uma boa infância, boa educação (principalmente a de casa), e que sintam que crescem num ambiente em que os seus pais estão presentes para elas!

Por outro lado, estamos a procura das melhores condições de vida, e certas vezes acabamos por negligenciar a atenção devida para educação das crianças (principalmente a partir de casa)

O que acontece é que muitas vezes estes dois lados são conflituosos e a opção por percorrer um caminho, automaticamente exclui o outro caminho

É preciso concordar que ambos os caminhos (as lados), são importantes para o crescimento da criança. Porém, eu sugeri que devia-se prestar mais atenção para o desenvolvimento da pessoa humana, porque actualmente o que mais se verifica, principalmente por parte dos jovens, é a procura agressiva da melhoria da condições de vida, que se sobrepões sobre todos os outros aspectos da vida social.

É NECESSÁRIO ENCONTRAR UM EQUILÍBRIO. Actualmente, a balança esta a pesar mais para o lado da procura de melhoria de condições de vida. Por isso deve-se olhar mais para o desenvolvimento da pessoa humana de modo a alcançar um balanço!

Nyikiwa said...

Caro Mito,

Obrigada pela visita ao meu blog e pelas questões que coloca! Falo de intercâmbio no seguinte sentido: na minha modesta opinião, seria bom que de vez em quando, as crianças dos contextos urbanos e rurais trocassem experiências de vida, nomeadamente como é que é o dia-a-dia delas, o que fazem quando acordam, que tarefas domésticas fazem, brincadeiras, etc…
Pelo que e saiba não tem havido intercâmbio nesse sentido entre as escolas situadas no meio rural e no meio urbano, por isso que na minha explanação disse até onde sei, perdoe a minha ignorância! Mas, muito obrigada por elucidar-me, é exactamente nisto que o debate é produtivo, pois aprendemos uns com outros e combatemo-lá.

Quando falo de campo, refiro-me a um contexto espacial em que existem hábitos de vida pretensamente rurais, se bem que hoje em dia o rural e urbano fundem-se (vide meu artigo neste espaço, intitulado: “rural: localização espacial ou modo de vida”), mas mesmo assim parece-me que mesmo assim ficam alguns traços distintivos.
Nas cidades pode existir o País real, mas creio que concorda comigo que geralmente as relações sociais na Cidade tendem a ser impessoais e muito plásticas, não que no meio rural não sejam, mas assume-se de antemão que normalmente as relações no meio rural são fundadas na solidariedade, nas relações pessoais e sobretudo na colectividade, que e algo que precisamos incutir nas crianças de modo geral, principalmente nas do meio urbano.

Não gostaria de encontrar culpados, porque acho que em vez de encontrar culpados, vamos preocupar-nos em encontrar soluções. “O leite já está derramado”, o que fazer para que ele não mais se entorne?
Podem até dizer que temos uma visão romântica da vida, porque concordo em género, número e grau que devemos potenciar o desenvolvimento da pessoa humana e não somente a satisfação material. Será que é esse tipo de adulto que precisamos para desenvolver este País? Mas lá está, estamos num dilema, que foi bem enunciado pelo Mito. Que fazer para sair dele?

MITO said...

Na esteira do pensamento de Julian Simon (um proeminente economista do desenvolvimento), se calhar não precisamos fazer NADA! A própria dinâmica do desenvolvimento e das sociedadas com enfoque no homem irá encontrar soluções para os problemas que forem a surgir.

O progresso é inevitável, e com ele vem as transformações sociais, económicas, políticas e culturais.