Friday, March 20, 2009

Proposta de encontro de bloguistas

Caros colegas da Blogosfera,

Gostaria de convidá-los a mais um encontro no dia 25 de Abril do corrente ano. Não somente estão convidadas as pessoas que já tem blogues, mas também aquelas que têm a criação de um blogue no prelo.

Estou a lançar o convite com um mês de antecedência para que nos possamos organizar. Desde já aguardo sugestões sobre local, hora e temas por discutir. Para os que estiveram presentes no nosso primeiro encontro, pensemos em formas de dinamizar os projectos de que falamos. Para os ausentes penso que podemos recapitular alguns temas abordados aquando do memorável 28 de Fevereiro.

Obrigada,
Nyikiwa.

Sunday, March 8, 2009

As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação e os Relacionamentos Afectivos

A moda dos SMS’s pegou em Moçambique. Envia-se os SMS’s sobre os mais diversos assuntos, até a procura de parceiros para os mais diversos fins: desde casar, fazer sexo e amizade.

O que me chamou atenção foi o facto de pessoas “comprometidas” enviarem mensagens para os programas interactivos de bate-papo, à procura de pessoas para afogar as suas mágoas ou para satisfazer as suas fantasias mais profundas, passo a citar algumas mensagens que tive oortunidade de ler: “sou casada, mas infeliz, carente e preciso de um homem sério para amizade séria”. Outra mensagem que vi dizia o seguinte: “sou casado, preciso de mulheres entre os 30-38 anos para momentos de prazer”.

Não cabe a mim ajuizar a conduta dessas pessoas porque cada ser humano tem livre arbitrío e as motivações para os factos descritos acima só podem ser encontradas conversando com os sujeitos do acontecimento. Porém, não deixa de me inquietar o facto de cada vez mais pessoas que vivem em união de facto ou casadas oficialmente exporem-se e até deixarem seu contacto (embora muitas das vezes não utilizem os seus contactos oficiais) à procura de pessoas para afogarem as suas mágoas, ou para satisfazer as suas fantasias. Uma pergunta me surge: será que alguma vez conversaram com seus parceiros sobre o estágio da sua relação? Porque recuso-me a acreditar que alguém busca outra pessoa seja para o que for, sobretudo em público sem ter motivos para tal.
Já ouvi dizer que o homem não trai a sua esposa ou namorada “à toa” (e vice-versa), logo traem por algum motivo, mas até ao ponto de “aparecerem” em público acho que é “dose”! Embora possam utilizar números de telemóveis não oficiais, as vezes acho que se ignora a hipótese de os seus parceiros ou outras pessoas próximas destes conhecerem ou terem acesso ao número de telemóvel supostamente privado?

O que dizer destes casos?

Nyikiwa.

Sunday, March 1, 2009

Bloguistas: do virtual ao real!

O encontro dos “bloguistas Moçambicanos” realizado no último Sábado na Cidade de Maputo, foi o primeiro de muitos encontros ainda por vir. O objectivo do encontro era o encontro real dos “bloguistas” que somente conheciam-se virtualmente até então.

Visto a maioria de nós desconhecer-se até ao dia do encontro, os que já tinham chegado (eu e a minha irmã Ximbitane) íamos tentando adivinhar a identidade de cada pessoa que chegava ao local de encontro.
Quando o Shirangano entrou, a Ximbi disse para mim:”este tem cara de ser Shirangano” e eu acenei afirmativamente com a cabeça. E não é que era ele? Entre telefonemas e mensagens, visto muitos bloguistas estarem atrasados, eis que surge mais alguém: Amosse Macamo, ou simplesmente “Modaskavalu”. Quando o Amosse chegou continuamos com as apresentações. A seguir chegou Chacate Joaquim e iniciamos uma brincadeira, a da adivinhação: “guess who am I”!
À medida que os demais bloguistas chegavam, a brincadeira repetia-se. Oh, Mutisse, acreditaste feito um patinho que eu era a Avid, kakakakaka...
Bom, sucedeu muita coisa no nosso encontro, mas não detalharei porque por um lado se eu contasse tudo não haveria espaço para descrever, mas por outro lado há pessoas indicadas para escreverem a crónica do encontro, e o que pretendo com este “post” é mostrar que o mundo virtual é mágico, mas o real é ainda mais fascinante.
No mundo virtual manda a imaginação, mas no mundo real notamos que as pessoas com quem convivemos virtualmente são de carne e osso e são tão pessoas quanto nós.
O mundo virtual tem o condão de nos fazer viajar e dar asas à imaginação. Representamos, idealizamos, pintamos e mascaramos pessoas e suas identidades, e quando elas estão próximas de nós não parecem as mesmas, porque as percepcionamos de modo diferente.
Apesar de termos sido submetidos à diversos processos de socialização, no final de contas temos todos uma coisa em comum: o compromisso com a verdade e a honestidade intelectual, por isso caros bloguistas, coloquemos todos os planos traçados em prática e continuemos a primar por uma postura imparcial. Parafraseando Obama: “YES, WE CAN”!

Sunday, February 15, 2009

14 de Fevereiro, dia dos namorados ou dia das modas?

Nas vésperas de 14 de Fevereiro de cada ano e na própria data, tem se assistido à uma decoração vermelha e branca das montras das lojas e é notória a afluência maciça de pessoas às lojas em busca de presentes para os seus (as) parceiros (as). Nada contra! Mas o que sempre me pergunto nessa ocasião é se as pessoas sabem qual é o motivo de Celebração de tal data e se “beberam do espírito da coisa” (como diriam os Brazucas) e inculcaram a mensagem que a data ou efeméride traduz?

Os comerciantes, alguns deles até podem conhecer o significado da data, mas a questão é obter lucros com a ocasião, nada contra também! Não sei quando é que em Moçambique se começou a celebrar a data, mas verdade seja dita se formos inquirir às certas pessoas porque é que 14 de Fevereiro é dia de São Valentim e por inerência dia dos namorados, podemos notar que algumas delas somente celebram a data porque os mídia falam dela, porque ouvem falar com outras pessoas, e porque é montado um aparato publicitário em torno da data. Essa questão remete-me para as modas. Já dizia Barthes (1967) citado pelo saudoso professor José Negrão no seu artigo” Repensando as Modas de Desenvolvimento Rural” datado de 1997 que a moda não tem lógica, tem poética e por isso apaixona, e é transportada aos mais recônditos lugares do mundo. Apesar de o Professor Negrão ter escrito sobre a questão de se repensar os modelos de desenvolvimento rural, creio que o problema que ele levanta em torno das modas pode servir para olhar para a azáfama que verifica-se a cada 14 de Fevereiro, porque quem não celebra o dia 14 de Fevereiro, não comprou presente para o seu parceiro (a), ou acha que é um dia como qualquer outro é visto como tendo ficado no lado frio da história.

Saturday, January 3, 2009

Mulher, um Objecto de Estudo Multifacetado

Muito se tem dito e escrito sobre a mulher. Existem estudos, revistas, programas televisivos e radiofónicos especializados em questões ligadas à ela. Mesmo no meio académico existem revistas desse cariz, como é o caso da revista estudos da mulher no Brasil.


Ultimamente em Moçambique assiste-se à feminização de quase tudo, desde feminização da pobreza, feminização do SIDA, feminização da violência, entre outras feminizações que estão para ser criadas ou já estão no prelo.

Tais revistas, programas radiofónicos e televisivos abordam algumas questões passíveis também de ser abordadas com relação ao homem, mas porque é que pratica-se tal femicentrismo?

A explicação mais frequente e quase que consensualmente aceite é a de que a mulher é frágil e oprimida pelo modelo patriarcal dominante na nossa sociedade. Será que o homem é essa besta-fera que tanto propalam? Não quero negar que a mulher é mais violentada e oprimida que o homem, mas será que já se procurou estudar a fundo o “monstro-homem”?

O modelo patriarcal efectivamente existe na nossa sociedade, mas já paramos para pensar que ele é produto do que homens e mulheres convencionaram como regras de conduta para os indivíduos que nascem num certo contexto sócio-cultural e até espacial e temporal? Os valores existentes numa sociedade não nascem num vácuo, são produto de construção humana, visto a cultura ser o traço distintivo entre o homem e os outros animais e o homem assim como a mulher perfazem o género humano.

Acordo Ortográfico (2)

Este artigo é o segundo que escrevo em torno do acordo ortográfico da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa. No primeiro, eu dizia que achava que o Governo Moçambicano não devia ratificá-lo, visto sermos uma amálgama cultural e que devia olhar-se para as implicações que a ratificação desse documento poderia trazer. Felizmente, na minha opinião, o Governo Moçambicano ainda não ratificou o acordo ortográfico, embora eu desconheça os motivos de tal atitude.

Este segundo artigo nasce do facto de a partir de 1 de Janeiro do corrente e fresco ano de 2009, ter entrado em vigor o acordo ortográfico em alguns Países da CPLP. Moçambique, Guiné-Bissau, Angola e Timor-Leste são os Países que ainda não ratificaram esse instrumento e consequentemente, não adoptaram ainda as novas regras de ortografia.

Pelo que eu saiba as pessoas que estão circunscritas no contexto sócio-cultural que é a CPLP, jamais deixaram de entender-se por culpa da ortografia ora vigente no Brasil e noutros Países integrantes dessa Comunidade. Temo que com a entrada em vigor desse acordo ortográfico, talvez o “Português Brasileiro” perca a ginga que lhe é peculiar ou o Crioulo perca a graça que tem. Digo talvez porque não sei que orientação a nova ortografia tomará, ou quem adoptará de quem, uma vez que antes da sua ratificação se aventava a hipótese de todos Países da CPLP adoptarem a ortografia Brasileira ou o Português de Portugal.

Eu sempre me pergunto porque é que temos que ser todos iguais como se fossémos produto da mesma fábrica e da mesma série? A diversidade está condenada a morrer em nome da tão almejada globalização, que para mim é mais englobação que outra coisa porque nos estão a englobar nos seus sistemas culturais e financeiros à todo custo.



Nyikiwa

Friday, January 2, 2009

Falha do Sistema de Escolha Múltipla ou Falta de Preparação dos Alunos?

O presente artigo surge por um lado como fruto do interesse que nutro pelos temas relaccionados à educação e instrução, e por outro lado porque foram recentemente publicados os resultados dos exames da 12ª classe do sistema nacional de ensino. O índice de reprovações na 1ª época de exames da 12ª classe rondou os 70%, facto que me fez pensar em torno da problemática.

As explicações sobre os motivos do índice retumbante de reprovações gravitam em torno de três cenários, nomeadamente: uma avançada por alguns estudantes auscultados que atribui culpa ao sistema de avaliação baseado na múltipla escolha, introduzido no País em 2008. A segunda explicação é avançada pelo sector da educação que defende que os estudantes não prepararam-se devidamente para os exames, daí terem averbado muitas reprovações. A última explicação é dada pela Organização Nacional de Professores (ONP) que defende que o sistema de múltipla escolha impede os estudantes de mostrarem as suas reais capacidades, pois limitam-se a assinalar a alternativa que lhes parece correcta sem desenvolverem e mostrarem o seu raciocínio. Importa realçar que a posição da ONP sobre o sistema de avaliação baseado na múltipla escolha foi proferida antes mesmo da publicação dos resultados.

O meu interesse no presente artigo não é legitimar uma e outra posição das acima apresentadas, mas analisa-lás. A desculpa apresentada pelos estudantes parece-me “desculpa de mau pagador” ou se preferirmos “um macaco quando não sabe dançar diz que o chão é que está torto”. Recorri a estes dois adágios populares para mostrar que para mim os estudantes estão a justificar-se com base na história de Adão e Eva, pois Adão quando interpelado por Deus, disse que Eva é que o oferecera o fruto proibido.

A posição do sector de educação também alinha no mesmo diapasão da explicação dos estudantes, porém, importa notar que os nossos estudantes pouco ou nada fazem para terem bom rendimento escolar, apesar de muitas facilidades que têm a seu dispôr, tais como: a internet e bibliotecas na cidade de Maputo. Falo da cidade de Maputo porque a peça de reportagem que vi, fazia menção às pautas de exame publicadas nas Escolas Secundária Josina Machel e Francisco Manyanga.

A explicação avançada pela ONP a meu ver levanta uma parte do problema porque os exames de múltipla escolha limitam a capacidade dos estudantes de mostrarem o seu potencial, uma vez que o estudante dispõe em cada pergunta de quatro alternativas para responder à questão. Será que se continuassemos com o anterior sistema de avaliação os resultados teriam sido melhores? O que é que a 2ª época nos reserva? Esperemos para ver se a culpa do índice retumabnte de reprovações é do sistema de múltipla escolha recentemente introduzido nos exames do ensino secundário, ou falta de preparação por parte dos estudantes?


Nyikiwa